22 July , 2008   04:23
Entre Duchamp e Betancourt.


Desde o dia 16 de julho em São Paulo está acontecendo a exposição “Marcel Duchamp: uma obra que não é uma obra de arte”. Tem os ready-mades, o urinol a roda de bicicleta e tudo mais. Tem também o "Etant donnés", que é uma obra do Duchamp que não foi ele que fez, sacou? Ele só deixou as instruções de como fazer uma lente em um buraco numa parede. Através da lente, se via uma mulher pelada. Que excitante…. ou artístico, depende. O urinol assinado com o pseudônimo R. Mutt é a obra mais famosa. Enquanto isso…

No domingo último, houve uma série de manifestações na Colômbia contra as Farc e a favor da libertação dos reféns da organização criminosa. As Farc estão muito enfraquecidas e desde a libertação de Ingrid Betancourt a tendência é que sejam cada vez mais condenadas por seus atos. O sequestro dela gerou muita mas muita comoção na França e não haja dúvidas de que os franceses estarão mais engajados na luta pela libertação dos reféns das Farc.

Comovente também é um machado. Um artista especialista em happenings, Pierre Pinoncelli em junho de 2002 cortou um pedaço do dedo mindinho com um machado para protestar contra o seqüestro de Betancourt. Bom, e agora que ela voltou? Foram seis anos em que fazia sentido não ter um pedaço do dedo - cada um protesta do jeito que acha mais conveniente -, mas e agora?

Pierre Pinoncelli tem lá seus problemas com a lei. Ele já foi preso e condenado a pagar uma multa em 1993 por invadir o Salão de Arte de Nîmes e urinar na obra "A Fonte" (o tal urinol) e dar uma martelada no objeto. Em 2006, ele volta a dar uma martelada, dessa vez em uma das várias réplicas de "A Fonte". A justificativa do artista dos happenings foi didática: "(…)um urinol em um museu deve obrigatoriamente se prestar a que alguém urine lá dentro um dia. (…) A urina faz parte da obra e é um de seus componentes. Urinar ali termina a obra e lhe dá sua plena siginificação(…)". No fim das contas, ele se julgou co-autor da obra, porque a terminou. Eles fez o que em quase oitenta anos não se fez: mijou na Fonte. Realizou o espírito Dada, do desrespeito. Palmas pro Pinoncelli!

Mas com essa onda de roubo de obras de arte no Brasil, temo pela segurança das obras de Marcel Duchamp. Se sequestrarem o famoso urinol, que parte do corpo Pinoncelli vai decepar dessa vez!?

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Post Relacionado: Sem juri, nem recompensa.

OBS: Muitas dessas coisas só sei graças à Cristina, minha profesora de francês. Merci professeure!



17 July , 2008   02:45
Anistia pra quê?


O Plenário aprovou nesta quarta-feira (2) emenda da Câmara ao projeto de lei do Senado (PLS 45/01) que concede anistia post mortem a João Cândido Felisberto, líder da Revolta da Chibata, e aos demais participantes do movimento. De autoria da senadora Marina Silva (PT-AC), a matéria será encaminhada à sanção presidencial.

Continue lendo | Agência Senado

O que eu sempre achei legal na Revolta da Chibata é que ela foi uma revolta pós-moderna. Não tinha grandes pretensões, nem almejava uma utopia. Só queria que os castigos a chibatadas parassem. Simples. Talvez por isso que nossas crianças e nossos adolescentes nem estudem tanto isso.

Outra coisa: anistia post mortem o escambau! Agora que o sujeito tá morto, não vale. Fica parecendo… sabe…. hipócrita. Se governos anteriores erraram no julgamento a culpa é deles. Anistia tem que ser como estão fazendo agora com o Daniel Dantas, ainda em vida. E seu fosse ele, fugiria do Brasil. E daria bastante risada. É isso que a Justiça quer que ele faça. O mundo é dos espertos. E se o judiciário não consegue ser mais esperto que os criminosos, então dane-se. É mais um que escapa? Ou vão trocá-lo pelo Cacciola?



4 July , 2008   23:57
O acerto do Walkman


No dia 1º de julho, completaram-se 29 anos do lançamento do Walkman. Tá e daí? E daí que o Walkman é o avô dos mp3 players, tão em voga ultimamente.

O Walkman marcou profundas mudanças na relação das pessoas com a música. Se no passado, para apreciar a música era necessária a presença dos músicos e dos instrumentos, com a reprodutibilidade técnica (ah! sim!) a relação muda drasticamente. Não é mais obrigatório ir a um espaço público, pode-se ouvir música em casa, quantas vezes se queira, a qualquer volume, a qualquer hora, na ordem desejada pelo ouvinte. Cada um ouve a música do jeito que bem entende no conforto do lar.

Mas com os aparelhos portáteis, o individualismo e a desatenção na hora de ouvir música aumentam. A digitalização da música, possível principalmente depois da tecnologia do Compatc Disc, fez a capacidade de armazenagem aumentar e o tamanho dos aparelhos diminuir. Com um aparelho na mão ligado a fones de ouvido, o ouvinte podia então ouvir suas músicas preferidas em qualquer lugar, durante as atividades mais rotineiras, ao atravessar a rua, ao caminhar no parque ou ao pegar o ônibus. Essa liberdade é de fato um isolamento cada vez maior das pessoas no espaço público. Antes, todas estavam juntas ouvindo a mesma coisa, hoje cada uma ouve o que quer, mesmo que estejam lado a lado.

E o Walkman é o início disso. O Walkman é fabuloso e mítico. Uma maquininha formidável. Não o que discutir quanto a isso; o Walkman é mágico. Seu inegável sucesso se explica se entendermos o rumo que estamos tomando no “isolamento acústico” na apreciação da música. Aliás, nem se pode falar em apreciação; hoje em dia a música só serve pra preencher o ambiente, para não ouvir a desorganização e o caos das cidades, ou as vozes desiteressantes dos outros.

Ao andar pela rua e ver pessoas ligadas por dois fiozinhos a um celular ou a um tocador de mp3, eu penso nisto: como mudou a relação do ser humano com a música. Ela era para ser apreciada coletiva e atentamente. Hoje em dia não dá mais pra fazer isso. A gente nunca está só ouvindo música. É ouvindo música e fazendo alguma coisa. E na maioria das vezes, sozinho. Ficamos isolados, para ouvir aquela canção quantas vezes quisermos, no volume que quisermos, na ordem que quisermos. Faz quase trinta anos.



2 June , 2008   23:40
Kimbo


Kimbo Slice na ESPN Magazine. Você já deve tê-lo visto
no Youtube. Ele é famoso. Ele é mau. Ele é aterrorizante!!! Mas ele também tem uma história de vida.

Se liga só, mano! Ou vai tomar porrada!

 

 



7 January , 2008   21:31
Nomeação típica islandesa


Suponhamos que um homem islandês chamado Jón Stefánsson tenha um filho chamado Ólafur. O último nome de Ólafur não será Stefánsson, como o do seu pai. Uma vez que Ólafur é filho de Jón, seu nome será Ólafur Jónsson, literalmente "Ólafur filho de Jón". O mesmo se aplica a mulheres. Se Jón Stefánsson tiver uma filha que se chama Kata, o nome completo dela será Kata Jónsdóttir, literalmente "Kata filha de Jón"..

Em alguns casos, o patronímico é derivado do nome do meio do pai da pessoa. Por exemplo, se Stefán é filho de Hjálmar Örn Vilhjálmsson, seu nome pode ser tanto Stefán Hjálmarsson (Stefán filho de Hjálmar) como Stefán Örnarson (Stefán filho de Örn).

Em alguns casos, quando pessoas do mesmo círculo social têm o mesmo primeiro nome e o mesmo patronímico, elas são distinguidas pelo nome de seu avô paterno. Por exemplo, Jón filho de Thór Bjarnarson e Jón filho de Thór Thorgeirsson serão ambos Jón Thórsson. Para distingui-los, um é chamado de Jón Thórsson Bjarnarson (Jón filho de Thór filho de Bjarni) e Jón Thórsson Thorgeirsson (Jón filho de Thór filho de Thorgeirsson). Esse método não é comum, mas é fácil de se encontrar nas Sagas antigas.

Matronímico
A grande maioria das pessoas na Islândia tem como último nome o patronímico, mas em alguns casos, usa-se o nome da mãe, o matronímico. Isso acontece quando os tutores legais da criança querem acabar com as ligações sociais com o pai da mesma. Algumas feministas o fazem como estatuto social e outros o fazem simplesmente por motivos estéticos. Assim, uma pessoa chamada Jón que tem o pai chamado Stefán e a mãe chamada Bryndís poderá ser Jón Stefánsson (usando o patronímico) ou Jón Bryndísarson (usando o matronímico).

Vejam só:

  • Björk Gudmundsdóttir
  • (Jónsi)Jón þór birgisson (Sigur Rós)
  • (Kjarri)kjartan sveinsson (Sigur Rós)
  • Kristín Valtýsdóttir (Múm)"
Fonte: Não sei… Mas deve ser verdadeira!



11 October , 2007   19:37
O cientista oculto


Essa coisa de prêmio Nobel me lembrou o que um professor falou em aula. Ele disse que a figura do cientista, que pesquisa e faz experimentos por conta própria sumiu. Cientista mesmo era o Thomas Edison, por exemplo. Hoje em dia, os estudos científicos estão nas mãos das grandes corporações, universidades ou em um convênio envolvendo estes dois. Há muito dinheiro de instituições internacionais e de vários governos. Isso anularia a individualidade do cientista, que não agiria conforme suas intuições e constatações científicas. Ele está enlaçado junto a uma equipe, cuja vontade não está personificada. Os rumos da pesquisa são dados por uma instituição, um órgão, sempre abstrato. Prova disso é que a gente atualmente não conhece nenhum cientista famoso, pra citar o nome.

Se isso é verdade ou não, o fato é que o Prêmio Nobel contradiz essa tese. A descoberta da magnetorresistência gigante não é um feito de uma instituição, é possível identificar quem o descobriu. Realizando estudos independentes, Albert Fert e Peter Grunberg chegaram a resultados semelhantes, cujos benefício são atualmente aplicados na área de informática e telecomunicção. A figura do sujeito que faz experimentos, que erra e acerta, que formula teorias e as aplica talvez não seja tão evidente quanto era em tempos idos porque não é interesse da nossa sociedade enaltecer essas pessoas.

Desde metade do século XX, os grandes ídolos eram os músicos: todos tinham como referência o rockstar. Hoje em dia, os grandes ídolos são os esportistas. Se a referência no mundo da música está em decadência, o que dizer da referência intelectual? Poucos querem ser um (ou semelhante a um) cientista. Sabemos vários nomes do esporte, vários nomes da música e quase nenhum da ciência. Mas isso não significaria que a figura do cientista, como uma pessoa dotada de vontade e de insights, desapareceu. Ela vive, oculta pelos interesses econômicos obviamente, no entanto a economia não é desisnteressada em relação ao avanço da ciência. Esta figura também está obscurecida pelos valores dos nossos tempos. A aplicação e disciplina exigidas para ser um cientista são evitadas; "estudar dá muito trabalho".

E se o cientista vive à sombra da sociedade, ainda que seus estudos garantam o desenvolvimento tecnológico que tanto conforto e praticidade dá a vida das pessoas, uma vez por anos ele aparece para o mundo, é entrevistado e diz o quanto é importante ter o reconhecimento de receber um Prêmio Nobel.


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Now playing: BLOC PARTY - I Still Remember
via FoxyTunes   



   04:10
Sem juri, sem recompensa


Marcel Duchamp foi criado em uma família de artistas. O avô materno, Émile Fréderic Nicolle, era artista e um homem de negócios bem-sucedido. Um de seus irmãos foi escultor, Raymond Duchamp-Villon, os outros dois, Jacques Villon (Gaston Duchamp) e Suzanne Duchamp foram pintores. É um dos gurus das vanguardas do início do século XX.

Uma das suas obras mais famosas, Nu descendant un escalier (nu descendo a escada) foi recusada no salão dos Independentes de 1912, por não se enquadrar nos padrões cubistas… Em 1917, como se nada tivesse acontecido, ele é convidado a fazer parte do comitê fundador de uma Sociedade de Artistas Independentes, cujo lema era: “Sem juri, sem recompensa”.

Para testar o lema, Duchamp inscreve uma obra de arte intitulada A fonte (Fountain); consistia num urinol invertido e assinado com um pseudônimo, R. Mutt. Houve uma baita discussão para ver se aceitavam ou não a obra. Duchamp, apesar de fazer parte do comitê, ficou quieto. Quando finalmente decidiram por não aceitar a obra, Duchamp se demite, em solidariedade a R. Mutt (em solidariedade a si mesmo).

Depois disso, Duchamp pôde ter experiência para escrever uma série de artigos sobre o caso Richar Mutt, que são o pretexto para os fundamentos de um novo conceito de arte; aquela em que o artista escolhe o que é ou não é arte. Basta isso. Um urinol no museu pode ser uma peça de arte, porque está num ambiente impregnado pela aura artística.

Qualquer objeto pode ser um objeto de arte, se for proposta uma nova maneira de se pensar o objeto. A fonte é um ready-made, ou um tout fait, como se diz em francês. Outros ready-mades de Duchamp são o L.H.O.O.Q ( lido em francês fica parecido com “elle a chaud au cul”, em português fica algo como: “ela tem fogo no rabo”), um retrato da Mona Lisa com um bigode, e a Roda de Bicicleta, uma roda de bicicleta em cima de um banquinho. Além disso, Duchamp produziu Rotoreliefs, discos que quando girados rapidamente produziam efeitos visuais. Isso certamente antes da Op Art.

Contrariar o artista é sinal de que a arte está dominada não por valores estéticos, mas por valores geralmente burgueses. Mas o mérito de Duchamp foi além da arte; ele não fugiu da discussão sobre o que é arte. Pode-se discordar dele, mas pelo menos nós temos uma resposta sua: “será arte tudo que eu disser que é arte”.



16 August , 2007   16:38
Meteorito de Putinga


Dia dezesseis de agosto é um dia até que importante. Muitos fenômenos inexplicáveis e/ou raros marca essa data. Há um ano, por exemplo, o Internacional vencia a Taça Libertadores, derrotando o campeão da época, o São Paulo. Há trinta anos, morria (ou não) o rei do rock Elvis Presley. Dizem que ele está vivo na Argentina… O FBI levou Elvis para lá para viver uma vida sossegada, como ele sempre quis. Será?

Mas o fato mais importante é a queda do meteorito em Putinga, na região do Alto do Taquari, RS. Muitas pessoas acharam que aquilo era o fim do mundo, como dizem esse relato e esse aqui. Mas para mim sem dúvida foi um ensaio do Apocalipse. Putinga é uma cidade pequena, o que aumentou a possibilidade de o meteorito cair em uma zona rural.

A pedra gigante se esfacelou em pedaços pequenos e apenas um está conservado no município, estando outros em museus Brasil afora e pelo mundo também. Legal que isso foi bem no dia do padroeiro de Putinga, cujo nome eu não faço nem idéia, mas foi uma benção, porque o turismo da cidade, só aumentou e agora que estão relembrando o ocorrido, talvez haja uma nova leva de turistas doidos pra ver a pedra vinda do espaço.

Dia 16 de agosto também é aniversário de três amigos, da Déia, da Grazi e do Diego, mas fazer aniversário não é inexplicável nem raro. Mas mesmo assim eu não esqueci.



30 December , 2006   04:17
Saddam enforcado. E agora?


Então, eu acabo de acordar nesse dia quente (mas nem tão quente) e descubro pela CNN que Saddam Hussein foi enforcado hoje, lá pelas 5 ou 6 da manhã, hora de Bagdá. Mataram-no cedo, eu sempre pensei que a execução de Hussein seria ao meio-dia para todo o mundo ficar sabendo. As pessoas vão acordar no Iraque, na Malásia ou no Brasil e vão perceber que a morte já ocorreu há muitas horas. Mas eu fiquei atento e essa eu não deixei escapar.

Então, o que vai ser da Guerra do Iraque a partir de agora? A situação que nunca esteve sob o controle dos norte-americanos vai piorar? Não foi criado um novo mártir? As coisas vão piorar no Iraque, mas o que mais fariam com Saddam Hussein a não ser condená-lo à morte? Essa daí, não teve muita saída mesmo… Mas tá meio na cara que a onda de violência vai mesmo é crescer (mais).

CNN sempre em cima do lance. Al Jazeerah também. Al Jazeerah em inglês um pouco atrasada…

Creio que esse é o último famoso que morre me 2006. O último post do ano não via falar de morte, essas coisas. Este será o penúltimo. No próximo eu tenho que contar uma coisa…