O primeiro cientista a tentar explicar o processo da evolução foi Jean-Baptiste Lamarck(1744-1829). Lamarck combatia as idéias vigentes na época sobre a existência dos animais e plantas e foi o primeiro a tentar explicar cientificamente o mecanismo pelo qual a evolução acontece.
Para ele, os seres vivos vão desenvolvendo determinados órgãos de acordo com suas necessidades de sobrevivência. Um dos exemplos mais conhecidos é o do pescoço da girafa. Segundo a teoria de Lamarck, as girafas com pescoço comprido, eram descendentes de girafas que provavelmente tinham pescoço curto, mas, com a necessidade de alcançar alimentos (folhagens das árvores), tinham que esticar o pescoço, e, como consequencia, este alongou-se. Essa característica adquirida foi transmitida aos descendentes, originando as atuais girafas de pescoço longo. Portanto, pelo uso e desuso da característica, e sua transmissão aos descendentes, ocorreu a evolução das espécies. E quando o organismo não necessita do órgão o mesmo se atrofia. A lei do uso e desuso ficou conhecida como a primeira lei de Lamarck.
A segunda lei supõe que as características adquiridas pelo uso (ou abandonadas pelo desuso) são transmitidas de geração a geração; é a lei da herança dos caracteres adquiridos. Sabemos hoje que as variações entre indivíduos depende da informação genética e que somente essas informações e as mutações dos genes podem ser transmitidas a uma geração seguinte. O biólogo alemão Weissman conseguiu refutar as Leis de Lamarck: cortou a cauda de ratos durante várias gerações (de 1868 a 1876), e os seus filhotes continuavam a nascer com cauda. Por esse experimento, Weissman provou que essa característica adquirida pelos ratos - ausência de cauda - não foi transmitida a novas gerações.
As explicações de Lamarck são insuficientes para entendermos o processo evolutivo. A Lei do uso e do desuso é correta, mas somente para os órgãos viscerais e a musculatura estriada esquelética (ou voluntária). Por isso que pessoas que fazem exercícios físicos ficam em forma e por isso que a visícula é atrofiada nos seres humanos. Mas a lei da hereditariedade encontra certos problemas. Certas característcas adquiridas lentamente se juntam às demais e se tornam parte da constituição do indivíduo. Todos os indivíduos de uma espécie estão mais ou menos no mesmo grau de evolução. Tem gente que não desenvolve o dente do siso. A tendência geral é que ele desapareça nas próximas gerações.
Um exemplo interessante sobre a lei da transmissão das características adquiridas é a de uma população de gafanhotos que infestam uma lavoura. Caso seja lançado algum agrotóxico contra a praga, como se explica que pouco tempo depois uma outra nuvem de gafanhotos destrua a plantação?
Segundo Lamarck, alguns indivíduos morreriam, mas outros “criariam resistência” ao agrotóxico e passariam essa característic adiante. Como se viu, isso não acontece de uma geração para outra, tão facilmente.
Charlies Darwin explicaria de outro modo: alguns indivíduos já teriam como característica a resistência ao veneno. Digamos que 5% da população de gafanhotos é resistente. Os outros 95% morreriam sem deixar descendência. Aqueles que sobrevivessem, teriam descendentes e transmitiriam a característica inata, portanto a próxima geração seria de 100% de gafanhotos resistentes ao agrotóxico.
Em termos científicos, as alterações nas células somáticas não passam para as células germinativas, aquelas capazes de transmitir características para a próxima geração.
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Esse texto pode ajudar a você, caro leitor, em algum trabalho de Biologia. Que bom que possa lhe ser útil. Mas isso é só um prólogo e base da minha argumentação no próximo post. Como diria o dono do SBT: “Aguardem”.
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