A Globo é católica. Ela sempre abre espaço para a CNBB, transmite a Missa do Galo, dá destaque a assuntos de interesse ao mundo católico. E isso parecia habitual, pois o Brasil é um país majoritariamente católico. Mas agora os movimentos neo-pentecostais surgem com força, transmitindo a ética protestante para o povo acomodado. Descobriu-se que ser rico não é pecado, que a prosperidade na vida terrena pode ser uma Graça Divina. Coisa que os norte-americanos, por exemplo, já sabiam há tempo.
A Record é protestante. No sentido mais amplo possível do termo. Ela não se enquadra na doutrina católica, e pertence ao mesmo grupo que comanda a Igreja Universal. Seja com a rosa ungida, seja com o óleo sagrado de Israel, tal Igreja apresenta meios para o fiel acreditar que o lucro é bom e divino. E que 10% dste lucro não lhe pertence, pertence a Deus. Não é errado ter ambição, desejar cada vez mais riqueza, cada vez mais prosperidade. O expansionismo da fé cristã não se dá mais pela violência da guerra, mas pelos moldes do modelo capitalista. Dito isto…
Quando se achava que a Record ia superar a Globo, eis que surge a mais nova denúncia do momento. Uma denúncia parecida já havia ocorrido em 1995 e não deu em nada. Dessa vez, a coisa pode ser diferente. A Globo ficou muito, mas muito nervosinha por não ter os direitos de transmitir a Olimpíada de 2012, comprados pela Record. Além disso, os assédios da emissora de Edir Macedo ao elenco da Globo vem sendo motivo de irritação. Nem mesmo o SBT fazia isso. Aliás, como bom fiel escudeiro, o SBT também começou a atazanar a vida da Record, contratando diretores e apresentadores de lá. É bom para a Globo ter um segundo lugar sem grandes pretensões, como o SBT. Senhor Sílvio Santos sempre optou pela mediocridade. A Record, pelo contrário, sonha em liderar a audiência, em ter o “padrão Record” de qualidade.
Mas aí é que entra a ética. Não vale tudo pra conseguir o que se quer. Não vale desviar dinheiro de fiéis, por exemplo. Galvão Bueno, na cerimônia de encerramento da Olimpíada de Pequim disse que a Globo é uma emissora cuja “única fonte de receita são os anunciantes”… O que ele insinuou com isso? Pois bem, o que todo mundo mais ou menos sabe, mas não havia como provar: que a Record só é grande como é, porque recebe um “subsídio ilícito” da Igreja Universal do Reino de Deus. Será que é verdade? A Justiça vai dizer.
Aqui no Sul, o último grupo de comunicação exclusivamente local, Guaíba/Correio do Povo foi comprado pela Record. Agora a TV Guaíba é uma “afilhada” (gosto dessa palavra, dá um tom familiar, sabe). Talvez ela tenha sido comprada com dinheiro que deveria ir para projetos de caridade…
Talvez, as igrejas deveriam pagar impostos e dar satisfação à Receita Federal de toda sua contabilidade. Isso não pode ficar assim. Se as igrejas querem ser tratadas como um negócio, que sejam tratadas como um negócio; eu não me importo, não sou de religião nenhuma mesmo. Mas sou a favor que as coisas sejam colocadas em pratos limpos.
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