No NY Times: Sai o trânsito. Fica aquele espírito da Times Square.
Nos últimos dias de maio a prefeitura de Nova Iorque decidiu fechar partes da Times Square para o trânsito e destiná-los somente aos pedestres. Como em outras cidades, o propósito é revigorar a cidade, torná-la mais sociável, pois, a partir da criação de amplos espaços de convivência, os cidadãos e turistas poderiam conversar mais e até mesmo apreciar melhor a cidade. Uma tentativa de humanizar a selva de pedra. Além disso, é eliminado um local de emissão de gases poluentes.
É uma boa, mas há quem diga que isso só atrapalha o trânsito e pode criar mais caos. No caso de Nova Iorque pode ser que sim. A cidade já foi mais dos pedestres, mas algo desde a sua fundação lhe mostra sua vocação para ser dos carros. Times Square não é como a Piazza San Marco in Venice ou a Trafalgar Square em Londres… Esses lugares sempre serão das pessoas a pé e isso nunca se questionou.
Pode ser que em NY, o espaço seja artificial: fecha-se uma rua e diz-se “sejam felizes e aproveitem”. O lugar asfaltado, com as sinalizações como faixas de pedestres e tudo, por mais que seja destinado aos pedestres, não é originalmente deles.
Comparemos o caso de Nova Iorque com o de uma cidadezinha mais provinciana, por exemplo, Porto Alegre (por quê!?). Há alguns poucos anos, certas ruas do centro da cidade foram abertas para os carros e os pedestres perderam espaço. Mais recentemente, os camelôs foram deslocados de um ponto do centro para outro, e o local acabou virando um estacionamento público. Lá perto, os carros andam a 10 por hora para não atropelar ninguém. O convívio de carros e pessoas no centro não é dos mais pacíficos. Os carros só não passam por cima das pessoas para os motoristas não serem presos; vontade não falta.
Sempre houve a reclamação de que é impossível estacionar no centro de POA, porque não há lugar para carrros. Talvez isso não seja errado, talvez o centro tenha sido feito para pessoas mesmo. Os pontos de resistência para a criação de espaços urbanos para pessoas se fundamentam sempre no fato de que “com carros, há mais desenvolvimento”. Pessoas a pé não são úteis. Carros sim, porque levam pessoas para o trabalho, ou para shoppings e restaurantes, para consumir.
Criar espaços de convivência em detrimento do tráfego parece retrógrado. Mas o que falta para os cidadãos das grandes cidades seja exatamente isto: um pouco mais da arte da convivência.
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