No post anterior falei da Índia e tal, e quase que cometi uma gafe. Ia falar de um livro que li há muito tempo, porque abordava a questão dos imigrantes em um bairro indiano em Londres… Ãhn…. Mas não eram indianos, eram pasquitaneses! Em tempo eu lembrei. Confundir Índia com Paquistão não é sensanto. Bom, se eu evitei o erro, então por que falar dele aqui?
O livro do qual falei é Os mortos estão vendo (The dead are listening), de Francis McCrickard. Literatura juvenil da melhor qualidade. Acho até que está fora de catálogo, infelizmente . Quando relembrei me deu uma nostalgina da pré-adolescência. Até hoje recordo bem da ocasião em que eu peguei o livro. Era uma aula de português da sétima série, todos os alunos tínhamos de escolher um livro para ler e fazer um resumo para entregar em um prazo de… digamos… um mês. Estavam todos em uma mesa. Peguei o livro de McCrickard e um colega me disse em tom de deboche: “que azar, pegou o livro mais grosso”.
Seria mais fácil pegar um daqueles livrinhos finos e cheios de figuras para ler e resumir, sim. Mas talvez não fosse tão divertido. Esses colegas que não gostam de ler muito eu nem sei onde estão hoje, nem o que estão fazendo. Mas tenho a leve impressão de que estou melhor do que eles.
A Índia tá na moda. A Índia é um daqueles países emergentes que enchem de desconfinaça os países ricos. É como a China, é como o Brasil. Mas desde cedo os indianos são retratados de diversas maneiras na cultura pop. De cara eu me lembro de três exemplos: O Dhalsim, do Street Fighter, o Hadji, do Jhonny Quest e o Abu, dos Simpsons. Err, bem, o que eles têm em comum? Eles têm hábitos de gente da Índia. Ou pelo menos, parece. Mas eles não passam de arremedos mal feitos; eles são visões etnocentricas; como saber como é de verdade um típico indiano. Ele está sempre de turbante? Ele é sonso e é dono de uma loja de conveniências? Ele estica os braços e usa crânios humanos como colar?
Finalmente consegui assistir a um pedacinho da nova novela da Globo, a dos indianos. Bom, nessa época de férias, a gente também tira férias da tevê (ou deveria). Como todos devem saber, Caminho das Índias tem como pano de fundo a cultura tradicional indiana e tal; ela parece um clone da novela O Clone, que abordava a cultura muçulmana. E de maneira bem caricata pra chamar a atenção do povo.
Mas, sinceramente, eu poderia jurar que isso era bem óbvio. Então, a novela é uma exacerbação de valores e costumes estrangeiros gerar interesse. Só que hoje eu ouvi uma conversa de um cara que achou a cultura indiana uma palhaçada e coisa e tal. Ele descreveu a seguinte cena: um personagem após acordar pela manhã abre a janela e vê uma viúva. E como isso é sinal de azar, ele resolve voltar para a cama, dormir e acordar de novo. Não é curioso? Bom, aquela pessoa à qual eu me refeir antes achou uma “palhaçada”. Mas até que ponto isso é verdadeiro ou isso é falso? Eu pelo menos não sei, porque nunca me aprofundei nos hábitos e costumes da Índia.
Como se isso não bastasse a frase final foi de matar: “mas os caras da Globo não iam fazer um troço que não fosse verdade, afinal eles pesquisam…” Comassém!? Foi então que eu vi a total falta de espírito crítico do “brasileiro médio”. Como assim, a Globo só faz enredos verossímeis? Desde quando? Será que não ocorre aos telespectadores que aqueles hábitos podem não ser verdade? Nós brasileiros já fomos retratados de maneira tão absurda no exterior, principalmente em filmes norte-americanos e aí não basta sentir na própria pele a falta de sensibilidade alheia, nós também vamos fazer o mesmo com outros povos?
Parece que sim, e sem remorso.
ATUALIZAÇÂO: Vi uma resenha para esse restaurante indiano em Londres. Parece ótimo!
Já que falei de televisão no outro post vou continuar no assunto, mas esse é mais ameno. O vídeo do cachorro português jogando Street Fighter com a estátua de Napoleão é uma das coisas mais bizarras que eu já vi na vida!! Não parei de rir até agora! Mal consigo digitar direito. Não sabia que a televisão portuguesa era dada ao humor non-sense. No fim ainda tem uma palhinha de I’m scatman versão piano e voz. Muito bom!
“O poder do Hulk é saltaire“
Por um desses acasos do destino fiquei com a tevê ligada na Record. E tevê é aquela coisa: mesmo que você não esteja assistindo, acaba recebendo conteúdo por osmose. Aliás, uma osmose reversa, porque sai do meio mais concentrado para o meio menos concentrado (os vestibulandos devem se lembrar disso).
Em certo momento passou uma matéria sobre um novo seriado da Record, A Lei e a Ordem. A história se passa no fictício morro da Alvorada (existe uma cidade gaúcha com essa nome, achei um baita preconceito!), onde a criminalidade é grande e coisa e tal. O making of mostrava todo o trabalho pra montar câmeras e afins. As cenas externas são em uma comunidade do Rio de Janeiro (terra da Globo, por sinal).
O trabalho de jornalismo/marketing/corporativismo ficou bem interessante. Óbvio que a matéria da Record vai falar bem do seriado da Record. O mote é que o enredo não mostra mocinhos e bandidos de maneira tão maniqueista e por isso é melhor. O protagonista parece ser um traficante que antes tentou carreira no exército mas não conseguiu. Então o caminho do crime foi "a única saída" para ele sobreviver. Daí que decorre o não-maniqueismo: o personagem foi forçado pelas cicunstâncias a seguir o crime. Ele não é tão vilão, talvez ele seja também vítima.
Foi o que tentou ser feito em A Favorita, mas a técnica de confundir propositalmente mocinhos e vilões não durou nem meia novela. Isso dá certo em histórias que envolvam questões sociais como o tráfico de drogas e pobreza; não com sentimentos como o amor doentio. Isso pelo menos no que diz respeito a narrativas para o público massivo brasileiro.
Investimento pesado em super produções, na compra dos direitos de transmissão da Olímpiada de Londres, na contratação de astros da principal concorrente e em direitos de formatos estrangeiros; tudo isso mostra o que o senhor Senor Abravanel nunca teve a competência de fazer direito.
Tá, onde eu quero chegar com isso? Acontece que nos últimos dias eu tenho percebido muitas mensagens da Record. É em outdoors, em rádio, e-mails, notícias… Ei, já entendi que eles estão rumo à liderança! Tá bom!? Já entendi a mensagem. Chega. O trabalho de comunicação chega a ser agressivo às vezes. Pelo menos eu acho.
Acredito que um dia a emissora da Igreja Universal vai assumir a liderança no Brasil, desbancando os "católicos" da Rede Globo. Uma vez eu ouvi uma mulher falar na tevê que os evangélicos querem dominar o país. Ela se referia ao fato de como as religiões afro-brasileiras eram mal vistas por grupos cristãos. Hmmm… isso vai dar rolo, eu sei, mas não fui eu quem falei isso, inclusive não tomo partido de ninguém. Ok, mais uma vez, onde eu quero chegar com isso? Esse avanço das doutrinas neo-penteconstais são legitimadas pela ética protestante do que a ética católica de humildade e não acumulação de riqueza. São pensamentos distintos e que pegam fragmentos da Bíblia para argumentar. Nesse mesh-up de versículos bíblicos está a retórica cristã atual e por isso que é possível ter dois pontos de vista tão diferentes.
É essa ética que faz a Record se sentir tão à vontade no seu plano ambicioso. Graças a essa ética que eu vejo mensagens deles a toda hora, dizendo "venha!". Daqui a pouco eu me convenço de que devo assistir mais televisão, mas não em qualquer canal. Já entendi a mensagem, agora vou pensar um pouquinho.
Quem já viu A Viagem de Chihiro sabe que o filme começa de modo culturalmente inusitado. A família de Chihiro se perde e para o carro perto de um parque de diversões abandonado. O pai explica que nos anos 70 e 80 construíram diversos como aquele, mas fecharam logo após uma crise econômica. E ficaram abandonados. Estranho, um parque de diversões ao léu, para os brinquedos pegarem ferrugem. Podiam pelo menos desmontá-los e abandonar o terreno. Pois bem, não é que parques abandonados existem mesmo!? Essas fotos, se eu entendi bem, são de Koutarou Shibakoen e mostram como parques de diversões conseguem ser macabros e sombrios. Não sei como pessoas são felizes nesses locais, mesmo cheios! O link das fotos é esse. Em japonês.



* Para do verbo parar, mas sem o acento diferencial conforme a nova reforma ortográfica. Mas claro que você já devia ter suspeitado, não é mesmo? ;)
Olha, a gente tem de ser bem crítico em relação àquilo que a gente lê, ainda mais na internet. Pois bem, essa notícia me chamou a atenção:
O Viagra, famoso medicamento que estimula a prática sexual nos homens, pode entrar na lista de substâncias dopantes. Segundo o jornal As, nos Estados Unidos, dois grupos de atletas (na Pensilvânia e na Flórida) são utilizados como cobaias para que os cientistas possam saber se o consumo da pílula azul tem efeito do doping.
(…)
O experimento tem o aval da Agência Nacional Antidoping (Wada, em inglês) e, se for comprovada a tese de que o Viagra possui efeitos dopantes, a pílula será proibida entre os esportistas a partir de setembro.
As suspeitas da Wada se baseiam no fato de o Viagra poder facilitar o desempenho dos competidores em lugares de altitude elevada, além de ele ter sido detectado em um grande número de atletas de elite. (…)
Continue lendo: Terra
Não acho que isso seja verdadeiro, pois praticar esportes de pau duro é muito complicado!
Tava precisando de uma piada =).
Hoje foi um dia de imagens fortes. Tudo começou com aquele acidente no centro da cidade pela manhã. O acidente foi horrível e vitimou duas pessoas.
Depois peguei um ônibus lotado e uma criança vomita no chão. Adivinha onde respingou? Pois é, já lavei meus sapatos…
Por fim, vi um cavalo morto com o pescoço quebrado no meio da rua e um carroceiro tentanto desamarrá-lo da carroça tombada.
Hoje não foi um dia muito legal. Mas existe amanhã.
Passou como um raio e pouca gente (que usa o Facebook) viu. Uma foto de uma mulher amamentando foi retirada do site por ser considerada obscena. Isso gerou alguns protestos que eu acompanhei de perto. Tudo isso porque o seio estava todo à mostra. Seio não é obsceno. Ainda mais de mãe. Isso tudo é culpa dos puritanos que acham que qualquer parte do corpo é pecaminosa. O Facebook se defendeu dizendo que atendeu apenas atendeu pedidos de usuários que se incomodaram com a imagem… Bom, em todo caso a reclamação foi atendida.
O corpo da mulher sempre foi mal visto. O pecado sempre vem da mulher, desde Eva. Todos nós nascemos de um “pecado” e agora, ao que parece, os bebês também são pecadores quando se alimentam…
Notícia relacionada.
Boi Bandido is dead. É o começo bizarro das celebridades que morrerão em 2009. Ainda por cima vão construir um memorial para ele. Memorial pra Bandido? Pos é… Mas o que mais me chamou a atenção foi a causa do óbito: o bovino morreu de câncer de pele. Olha só. Mais uma vítima do câncer. E, falando um pouqunho sério, é uma doença que vitima muitas pessoas mesmo. Então, essa história do boi tem a ver com o tempo absurdo que fez hoje.
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Fez 33 graus em Porto Alegre. Não queria chegar perto de ninguém, que dirá pegar uma bosta de uma lata de sardinha chamada ônibus.. Parecia que o calor do sol expremia meus ossos (não, não é poético, é apenas a verdade). E por que o sol dessa terra e é tão forte: Ouvi falar que é porque a camada de ozônio no Rio Grande do Sul é mais fina. Fui pesquisar alguma coisa e vi que tem fundamento. Isso é um perigo! Ainda mais para a populaçõa menos favorecida de melanina. O câncer de pele é mais incidente no estado gaúcho, como comprova esse artigo:
O estado do Rio Grande do Sul por suas características étnicas, com predominância de indivíduos de pele clara, e pelo grande número de pessoas dedicadas a atividade agrícolas (portanto com maior exposição a radiação solar), apresenta uma população de alto risco para o câncer de pele, havendo, portanto, uma alta incidência de casos. Por exemplo, em Porto Alegre, no ano de 1991, foram registrados 529 casos de carcinomas de pele – carcinoma basocelular e carcinoma espinocelular – (42/100.000) e 61 casos de melanoma (5,5/100.000). Mantendo essa proporção, e desconsiderando a possibilidade existente de subnotificação, estima-se para o Rio Grande do Sul pelo menos 4000 novos casos de carcinomas e 500 casos de melanoma no ano de 1996.
Que azar, pois a lida na roça é uma atividade digna!
Há muito tempo, recebi um convite para participar do programa o Aprendiz Universitário. O vencedro devia ganhar um estágio ou coisa parecida. Obviamente que gente pra concorrer a uma vaguinha na corporação do Sr. Roberto Justus. Com certeza é um grande feito profissional, que deixaria qualquer mãe orgulhosa. O e-mail tá lá na caixa de entrada há um bom tempo. Só não tentei a sorte por dois motivos:
- Estava fazendo minha monografia
- Participar de reality shows não condiz com meu nível intelectual (hohohoho) </esnobe>
Mas por via das dúvidas de resolvi arquivá-lo…. Quem sabe numa próxima…

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