No dia 1º de julho, completaram-se 29 anos do lançamento do Walkman. Tá e daí? E daí que o Walkman é o avô dos mp3 players, tão em voga ultimamente.
O Walkman marcou profundas mudanças na relação das pessoas com a música. Se no passado, para apreciar a música era necessária a presença dos músicos e dos instrumentos, com a reprodutibilidade técnica (ah! sim!) a relação muda drasticamente. Não é mais obrigatório ir a um espaço público, pode-se ouvir música em casa, quantas vezes se queira, a qualquer volume, a qualquer hora, na ordem desejada pelo ouvinte. Cada um ouve a música do jeito que bem entende no conforto do lar.
Mas com os aparelhos portáteis, o individualismo e a desatenção na hora de ouvir música aumentam. A digitalização da música, possível principalmente depois da tecnologia do Compatc Disc, fez a capacidade de armazenagem aumentar e o tamanho dos aparelhos diminuir. Com um aparelho na mão ligado a fones de ouvido, o ouvinte podia então ouvir suas músicas preferidas em qualquer lugar, durante as atividades mais rotineiras, ao atravessar a rua, ao caminhar no parque ou ao pegar o ônibus. Essa liberdade é de fato um isolamento cada vez maior das pessoas no espaço público. Antes, todas estavam juntas ouvindo a mesma coisa, hoje cada uma ouve o que quer, mesmo que estejam lado a lado.
E o Walkman é o início disso. O Walkman é fabuloso e mítico. Uma maquininha formidável. Não o que discutir quanto a isso; o Walkman é mágico. Seu inegável sucesso se explica se entendermos o rumo que estamos tomando no “isolamento acústico” na apreciação da música. Aliás, nem se pode falar em apreciação; hoje em dia a música só serve pra preencher o ambiente, para não ouvir a desorganização e o caos das cidades, ou as vozes desiteressantes dos outros.
Ao andar pela rua e ver pessoas ligadas por dois fiozinhos a um celular ou a um tocador de mp3, eu penso nisto: como mudou a relação do ser humano com a música. Ela era para ser apreciada coletiva e atentamente. Hoje em dia não dá mais pra fazer isso. A gente nunca está só ouvindo música. É ouvindo música e fazendo alguma coisa. E na maioria das vezes, sozinho. Ficamos isolados, para ouvir aquela canção quantas vezes quisermos, no volume que quisermos, na ordem que quisermos. Faz quase trinta anos.
A gente acha que videogame é uma coisa moderna, não é? E não é de todo errado pensar assim. Mas acontece que quando fazem um remake de um jogo que foi lançado dez anos atrás, aí bate uma certa angústia. E pior, quando você jogou aquele jogo e achava a melhor coisa do mundo, bate um desespero. Estou ficando velho. Velho e nerd. ‘Bora jogar de novo! Shit!
Ó o remake do jogo acima:
It all began in 94
Kept on rollin’ in 95
Pieces fell in place in 96
And it came to the end in 97
But now it comes, and here we go!
K.o.F. is here again!
Nothing’s gonna stop it’s in 1998.
P.S: o Bozo morreu.
