Essa coisa de prêmio Nobel me lembrou o que um professor falou em aula. Ele disse que a figura do cientista, que pesquisa e faz experimentos por conta própria sumiu. Cientista mesmo era o Thomas Edison, por exemplo. Hoje em dia, os estudos científicos estão nas mãos das grandes corporações, universidades ou em um convênio envolvendo estes dois. Há muito dinheiro de instituições internacionais e de vários governos. Isso anularia a individualidade do cientista, que não agiria conforme suas intuições e constatações científicas. Ele está enlaçado junto a uma equipe, cuja vontade não está personificada. Os rumos da pesquisa são dados por uma instituição, um órgão, sempre abstrato. Prova disso é que a gente atualmente não conhece nenhum cientista famoso, pra citar o nome.
Se isso é verdade ou não, o fato é que o Prêmio Nobel contradiz essa tese. A descoberta da magnetorresistência gigante não é um feito de uma instituição, é possível identificar quem o descobriu. Realizando estudos independentes, Albert Fert e Peter Grunberg chegaram a resultados semelhantes, cujos benefício são atualmente aplicados na área de informática e telecomunicção. A figura do sujeito que faz experimentos, que erra e acerta, que formula teorias e as aplica talvez não seja tão evidente quanto era em tempos idos porque não é interesse da nossa sociedade enaltecer essas pessoas.
Desde metade do século XX, os grandes ídolos eram os músicos: todos tinham como referência o rockstar. Hoje em dia, os grandes ídolos são os esportistas. Se a referência no mundo da música está em decadência, o que dizer da referência intelectual? Poucos querem ser um (ou semelhante a um) cientista. Sabemos vários nomes do esporte, vários nomes da música e quase nenhum da ciência. Mas isso não significaria que a figura do cientista, como uma pessoa dotada de vontade e de insights, desapareceu. Ela vive, oculta pelos interesses econômicos obviamente, no entanto a economia não é desisnteressada em relação ao avanço da ciência. Esta figura também está obscurecida pelos valores dos nossos tempos. A aplicação e disciplina exigidas para ser um cientista são evitadas; "estudar dá muito trabalho".
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Não que eu ache que o prêmio Nobel não seja uma politicagem sem fim, mas dessa vez todo mundo ficou surpreso. Nunca tive saco pra ler um livro inteiro da Doris Lessing e agora… bom, agora, eu vou continuar assim. Mas eu simpatizo com ela.
Doris Lessing é uma senhora simpática.
Ela consegue tratar de temas bem interessantes, como o Apartheid e o terrorismo. Também se aventurou na ficção científica; mas todo livro de ficção científica tem uns nomes muito difíceis, fico com vergonha de ler e entender errado. No caso de Lessing não é diferente =P
Tem gente que torceu o nariz. Tem gente que gostou da premiação. Só sei que conhecer a obra de Lessing não é perda de tempo, e quando as livrarias da nossa cidade colocarem o Caderno Dourado, Indo para Casa, ou a série Canopus em Argos nas vitrines como o grande destaque da última semana, que não haja acanhamento em pelo menos dar só uma lidinha.
OBS: Aqueles carinhas que ganharam o Nobel de física, quer dizer que é culpa deles termos tantos celulares tão modernos e pequenininhos…
Marcel Duchamp foi criado em uma família de artistas. O avô materno, Émile Fréderic Nicolle, era artista e um homem de negócios bem-sucedido. Um de seus irmãos foi escultor, Raymond Duchamp-Villon, os outros dois, Jacques Villon (Gaston Duchamp) e Suzanne Duchamp foram pintores. É um dos gurus das vanguardas do início do século XX.
Uma das suas obras mais famosas, Nu descendant un escalier (nu descendo a escada) foi recusada no salão dos Independentes de 1912, por não se enquadrar nos padrões cubistas… Em 1917, como se nada tivesse acontecido, ele é convidado a fazer parte do comitê fundador de uma Sociedade de Artistas Independentes, cujo lema era: “Sem juri, sem recompensa”.
Para testar o lema, Duchamp inscreve uma obra de arte intitulada A fonte (Fountain); consistia num urinol invertido e assinado com um pseudônimo, R. Mutt. Houve uma baita discussão para ver se aceitavam ou não a obra. Duchamp, apesar de fazer parte do comitê, ficou quieto. Quando finalmente decidiram por não aceitar a obra, Duchamp se demite, em solidariedade a R. Mutt (em solidariedade a si mesmo).
Depois disso, Duchamp pôde ter experiência para escrever uma série de artigos sobre o caso Richar Mutt, que são o pretexto para os fundamentos de um novo conceito de arte; aquela em que o artista escolhe o que é ou não é arte. Basta isso. Um urinol no museu pode ser uma peça de arte, porque está num ambiente impregnado pela aura artística.
Qualquer objeto pode ser um objeto de arte, se for proposta uma nova maneira de se pensar o objeto. A fonte é um ready-made, ou um tout fait, como se diz em francês. Outros ready-mades de Duchamp são o L.H.O.O.Q ( lido em francês fica parecido com “elle a chaud au cul”, em português fica algo como: “ela tem fogo no rabo”), um retrato da Mona Lisa com um bigode, e a Roda de Bicicleta, uma roda de bicicleta em cima de um banquinho. Além disso, Duchamp produziu Rotoreliefs, discos que quando girados rapidamente produziam efeitos visuais. Isso certamente antes da Op Art.
Contrariar o artista é sinal de que a arte está dominada não por valores estéticos, mas por valores geralmente burgueses. Mas o mérito de Duchamp foi além da arte; ele não fugiu da discussão sobre o que é arte. Pode-se discordar dele, mas pelo menos nós temos uma resposta sua: “será arte tudo que eu disser que é arte”.
