9 July , 2007   17:37
O mito do punk


Na minha opinião, a pessoa mais lúcida do movimento punk foi o Malcolm McLaren. O punk  foi abraçado por movimentos de esquerda e anarquistas, como um motor para mudar o mundo. Acontece que de tão supérfluo, o punk virou uma modinha e não um movimento.
Mas as coisas não são tão simples assim. Nessa entrevista de seis anos atrás, McLaren comprova mais uma vez por que sabe das coisas e a juventude alienada que achava que podia trasnformar a sociedade capitalista não.

"A moderna técnica dos samplers dispensa hoje um Glen Matlock ou um Johnny Rotten. Esta idéia me é especialmente cara! O hip-hop é simplesmente muito mais legal."



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A necessidade à qual responde o sacrifício e seu princípio


Fazem-se as primícias da colheita ou o sacrifício de uma cabeça de gado para tirar do mundo das coisas a planta e o animal, ao mesmo tempo o agricultor e o criador.

O princípio do sacrifício é a destruição, mas ainda que algumas vezes ele chegue a destruir inteiramente (como no holocausto), a destruição que o sacrifício quer operar não é o aniquilamento. O que o sacrifício quer destruir na vítima é a coisa - somente a coisa. O sacrifício destrói os laços de subordinação reais de um objeto, arranca a vítima ao mundo da utilidade e a entrega ao do capricho ininteligível. Quando o animal ofertado entra no círculo onde o sacerdote o imolará, passa do mundo das coisas - inacessíveis ao homem e que nada são para ele, que ele conhece de fora - ao mundo que lhe é imanente, íntimo, conhecido como a mulher é conhecida na consumição carnal. Isso supõe que ele deixou de estar, por sua vez, separado de sua própria intimidade, como acontece na subordinação do trabalho. A prévia separação do sacrifícador e do mundo das coisas é necessária ao retorno da intimidade, da imanência entre o homem e o mundo, entre o sujeito e o objeto. O sacrificador tem necessidade do sacrifício para se separar do mundo das coisas e, por sua vez, a vítima não poderia dele ser separada se o próprio sacrificador de antemão de antemão já não o estivesse. O sacrificador enuncia: "No íntimo, eu pertenço ao mundo soberano dos deuses e dos mitos, ao mundo da generosidade violenta e sem cálculo, como minha mulher pertence a meus desejos. Eu te retiro, vítima, do mundo onde estavas e onde só podias ser reduzida ao estado de coisa, tendo um sentido exterior à tua natureza íntima. Eu te trago à intimidade do mundo divino, da imanência profunda de tudo o que é".

BATAILLE, Georges. Teoria da religião.  São Paulo : Ática, 1993. pp 37-38.