4 July , 2007   04:47
Essa gente bilionária e filantropa


Apesar do que apronta a socialite com nome de homem, Paris, a família Hilton ainda consegue ganhar um troco. A rede de hóteis Hilton foi vendida por US$ 26 bilhões. Foi comprada pelo grupo Blackstone, especializado em hóteis e pousadas de luxo. Mas isso é merreca perto do homem mais rico do mundo, Carlos Slim, com um patrimônio de US$ 68 bilhões. Recentemente foi revelado que ele US$ 9 bilhões mais rico que Bill Gates, o segundo mais rico.

Como me cansa essa gente bilionária. Essa gente bilionária e filantropa é pior ainda. A quem eles  enganam, se fingindo de bonzinhos? Será que eles se sentem culpados por algo de errado no mundo? E se sentem, deveriam? Ou se sentem responsáveis, tal qual heróis, por ajudar aquelas pobres vítimas da fome e das doenças, já que nenhuma instituição mais consegue fazê-lo?

O mundo dos bilionários quando não é aquela futilidade centrada em si mesmo, é misericordioso com os coitados e/ou incompetentes que não conseguiram ficar ricos. É repugnante ver como os bilionários se sentem desconfortáveis por serem o que são e mais repugnante ver o que eles fazem pra serem mais "normais". Talvez eles tenham plena consciência de que sua fortuna não vêm apenas do esforço do próprio trabalho. Mas enfim…

Carlos Slim é mal visto no México, país com grande desigualdade social, no entanto é bem visto nos Estados Unidos, pela sua filantropia. Slim planeja criar dois institutos de saúde, um de educação e outro desportivo, para os jovens carentes.

Bill Gates também tem seus projetos filantrópicos. A família Hilton que eu saiba não. Mas não é esse o problema. Esbanja-se dinheiro com festas, com carros de luxo, mansões e roupas. Esbanjar essa grana também é comprar a fama de salvador dos pobres. Ou tentar comprá-la. Não é de compaixão que o mundo necessita, é da justiça no que se refere à valorização do trabalho de todos. Fazer doações em dinheiro, criar fundações, projetos de inclusão social é o mesmo que dizer: "Eu, que tenho todo esse dinheiro por mérito próprio, abro mão de um pouco dele para ajudar vocês, os sem mérito".

Compaixão enoja, porque é a legitimação de uma riqueza, que ao meu ver não é tão legítima. Essa gente bilionária e filantropa não consegue se esquecer do que é, e não se esquece do que teme,que são os próprios miseráveis. No entanto esses filantropos acham que podem comprar esse esquecimento.



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